quinta-feira, outubro 23, 2003

Valores de Mercado 007/03

A questão do capitalismo popular tem piada (ok, muitos estão escaldados e não acham).

O pináculo desta catedral foi a privatização da EDP. Qualquer um podia comprar acções e, com a tendência positiva da Bolsa, só quem fosse muito parvo não seria rico em poucos meses. Muitos endividaram-se alegremente apoiados nas generosas promoções dos bancos. O que aconteceu? Ganharam os do costume. Para os bancos era uma win-win situation. Os papalvos continuam a pagar o empréstimo. Mas quem se preocupa com loosers, anyway?

Esta é uma face da moeda.

A outra é ainda mais ridícula. Os que ainda acreditam que vão ganhar alguma coisa acolhem com euforia notícias sobre eventuais aumentos de preços da electricidade, e manifestam-se desagradados com quaisquer reduções. É de doidos.

O capitalismo popular tem, por isso, uma enorme vantagem sobre as formas de capitalismo primitivas: cria uma ilusão de posse que elimina a mais ténue tentativa de indignação face às práticas das empresas das quais temos acções. Como posso eu, do alto das minhas duas acções da EDP, reclamar contra o preço abusivo da electricidade?